SEU BEBÊ - A família, os primeiros momentos

A família, os primeiros momentos

O nascimento de qualquer bebê traz consigo uma série de mudanças na família que o recebe, seja ele o primeiro, o último ou mesmo um dos filhos do meio. Se isto acontece em todas as famílias, muito mais acentuado será este processo, quando a criança recém chegada, tiver síndrome de Down.

O filho sonhado, perfeito, que iria ser realidade em nossos sonhos, o reflexo do que nós somos ou do que nos gostaríamos que fosse, não chegou. Em seu lugar chegou um bebê diferente. Na realidade, todos os pais, tanto de filhos com síndrome de Down, como de filhos sem esta diferença, passam antes ou depois por esta etapa: a de reconhecer que nosso filho é outra pessoa, diferente de nós e com sua própria personalidade e inquietude, com uma inteligência determinada, com um caráter próprio e com aptidões e atitudes que o definem como indivíduo, diferente do resto. Este reconhecimento pode ser mais ou menos difícil, pode dar-se aos 3 anos ou aos 18, porém deve trazer consigo uma aceitação incondicional do nosso filho.

O que é diferente, então, quando o bebê tem síndrome de Down? Por que este processo de aceitação e de adaptação ao novo membro da família é algo imprevisto, fora do normal, diferente das regras habituais e sobretudo, traumático, a princípio. Desde o primeiro momento percebe-se que é diferente, e não como seus pais haviam pensado que seria. Além disso, a síndrome de Down tem uma série de mitos, que ainda persistem em pleno ano 2007, devido à falta de informação e desconhecimento, que preocupam enormemente a família. Este medo e preocupação se manifestam de maneiras muito diferentes nos pais, porém existem emoções relativamente comuns, lógicas e de caráter muito humano, aquelas que, uma vez que nós enfrentemos e aceitemos - cada um à sua maneira e de forma natural - nos ajudarão a compreender melhor o nosso filho, a nós mesmos e o futuro que se apresenta.

Enfrentar medos, culpas, desorientação, solidão e angústias fará com que essa família construa, num futuro próximo, um ponto de estabilidade para este bebê, criança, adolescente e adulto, passando a aceitá-lo como ele é: seu filho.

Tradução para Canal Dow21: Jerusa Amaral (Mãe da Fernanda, 2 anos SD –
BSB/DFDOWN)