ALIMENTAÇAO - Que comecem a comer por conta própria e sem ajuda, para ele é importante e educativo

Que comecem a comer por conta própria e sem ajuda, para ele é importante e educativo

Federación Iberoamericana Down 21*

A autonomia e a inclusão social devem ser buscadas desde o início para pessoas com síndrome de Down, e a alimentação é uma etapa importante para alcançar esses objetivos. Desde o seu nascimento, é preciso tentar de todas as formas que o bebê com síndrome de Down colabore com a sua alimentação.

A seguir, estabeleceremos certas questões que serão de grande ajuda para que as crianças com SD intervenham ativamente em sua própria alimentação.

Bebês recém nascidos

1º Nos primeiros meses é necessário que ao invés de colocar direto o peito ou o bico da mamadeira na boca da criança, roçá-los um pouco em sua bochecha, perto da boca, para estimulá-la e para que seja ela a buscar o peito ou o bico para conseguir alimento.

2º Ao introduzir a alimentação complementar, como purê e frutas com colher, a criança deve permanecer no colo e que seja ela a mover a cabeça para buscar a colher e abrir a boca, ou seja, não devemos colocar a colher direto na boca, nem abri-la à força, a criança é quem deve colaborar.

Bebês que já consigam sentar-se

1º - Quando crianças com síndrome de Down conseguem sentar-se, devemos colocá-las sozinhas em uma cadeira apropriada que as permita chegar até a mesa perfeitamente durante as refeições. Até pouco tempo atrás, vinham sendo utilizadas cadeiras altas e que só servem durante os dois ou três primeiros anos, no entanto, agora existem no mercado cadeiras de madeira que são niveladas por altura e que podem ser utilizadas desde o momento em que a criança começa a manter-se sentada até a idade adulta. As cadeiras portáteis, que se nivelam de acordo com a mesa, também são muito práticas, principalmente para quando se come fora de casa ou se sai de viagem, porque podem ser transportadas facilmente, são pequenas e permitem que a criança esteja na mesma altura que o resto da família.

2º Uma vez sentadas à mesa, são oferecidas comidas sólidas em um prato (migalhas de pão, presunto em pedaços, etc), para que elas possam pegá-las com as mãos e levá-las até a boca. Talvez no início seja necessário ajudá-los a realizar esse movimento.

3º O líquido que tomam acompanhando a comida, ou entre as refeições, deverá ser oferecido em copos especiais que disponham de tampa, canudo e asa (pegador), para que o líquido não seja derramado ainda que peguem com pouco cuidado.

No início será necessário ajudá-los um pouco, mas imediatamente poderão pegar por conta própria.

Quando a criança adquirir mais equilíbrio e aprender a beber o líquido sem sugá-lo, poderá dar a ele um copo sem tampa, ainda que continuem a usar copo com asa.

No final poderá utilizar copos iguais ao resto da família, sem asas e de vidro.

4º Pouco a pouco colocaremos em sua mão o garfo e a colher.

No início, levaremos sua mão para pegar a comida e a ajudaremos a levar até sua boca, depois será preciso também ajudá-la a pegar o alimento com o garfo e aos poucos iremos deixando de ajudá-los, fazendo apenas desde o antebraço até o cotovelo.

No final, só participaremos entregando o alimento, o resto ela fará sozinho.

O passo a seguinte é tentar que a criança fure a comida com o garfo e a leve até a boca.

Mais dificuldades e cuidados surgem na hora de encher a colher de comida, para que não seja derramada ao ser levada até a boca. Para ajudar nessa tarefa será necessário que o alimento seja o mais espesso, possível.

Todas essas questões e recomendações levam tempo e muita paciência, mas os resultados podem ser visto em curto prazo e, além disso, permite que as crianças participem das refeições em família como mais um membro, com todos os benefícios que isso inclui.

O almoço e o jantar são momentos especiais para a comunicação em família, não há televisão e todos estão sentados ao redor da mesma mesa.

Essa reunião diária permite que cada membro da família expresse e transmita aos outros como foi seu dia. A criança com síndrome de Down escuta e quer participar como um membro. Ela tentará e conseguirá contar algo que tenha acontecido com ela, igual a seus pais e irmãos. Além disso, aprenderá a esperar sua hora de falar.

Uma criança acostumada a comer por conta própria e a permanecer sentada a mesa poderá participar sem dificuldades de refeições fora de casa, aniversários de seus colegas do colégio e várias celebrações em família, o que ajuda a vida social da família a se desenvolver normalmente.

* Traduzido por Catarina Chometon